No Dia Internacional da Mulher, o protagonismo feminino ganha destaque no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Santa Catarina. Em um ambiente historicamente masculino, elas representam 53% do quadro do SAMU/FAHECE, atuando nas Unidades de Suporte Avançado (USA) - nas ambulâncias, no Aeromédico, no Serviço Inter-hospitalar, na Central de Regulação.
Dos 1.298 profissionais, 688 são mulheres e 610 homens. Nos cargos de liderança, elas ocupam 18 das 43 funções — cerca de 42%. As mulheres também são maioria na Central de Regulação do serviço Inter-hospitalar (Cerinter), gerida pela SES.
Do volante à liderança
Elas estão presentes desde a higienização e condução de ambulâncias a funções estratégicas, como supervisoras, coordenadoras operacionais e coordenadoras médicas. A direção-geral do suporte avançado no Estado também é exercida por uma mulher.
“A atuação das mulheres na linha de frente exige não apenas conhecimento técnico e coragem, mas também empatia e compromisso com a humanização do cuidado. Que cada vez mais mulheres se sintam motivadas a fazer parte do SAMU, contribuindo para salvar vidas e transformar a sociedade”, afirma a diretora-geral do SAMU/FAHECE, Carla Birolo Ferreira.
Na rotina das ocorrências, a condutora socorrista Juliana Pereira, de 54 anos, é uma das duas mulheres nessa função em Unidades de Suporte Avançado no Estado. Há quatro anos no SAMU e bombeira comunitária há 26, ela afirma: “As pessoas acham que por ser mulher sou fraca, mas não deixo nada me amedrontar. Não somos exceção, somos capacidade, preparo e força”.
A enfermeira Mariana Fernandes, de 30 anos, no serviço desde 2018, reconhece que ainda há necessidade de provar competência. “Enquanto homens são imediatamente reconhecidos como autoridade, nós precisamos reafirmar nosso lugar. Sigo firme e profissional, porque sei quem sou e o que represento”, diz. “Não é sobre dar conta de tudo, mas sobre seguir firme e consciente do propósito.”
Já a médica Cíntia Tamellini, de 46 anos, reforça que, nas emergências, o que importa é a resposta rápida e qualificada. “As pessoas se sentem aliviadas com a chegada do socorro, independente de ser homem ou mulher.”
Neste 8 de março, os números e as histórias reforçam o avanço da participação feminina no atendimento pré-hospitalar em Santa Catarina — ampliando espaços, ocupando lideranças e salvando vidas todos os dias.